Dois trechos de "Bonequinha de Lixo", de Helena Terra


A personagem principal do segundo romance de Helena Terra, Bonequinha de Lixo, é Maria Clara, uma adolescente de classe média alta que resolve quebrar o silêncio do que acontece entre as quatro paredes de sua casa, revelando a dinâmica hipócrita e disfuncional de sua família e o comportamento abusivo e violento do pai.


A prosa de Helena verte pelas frases breves de Clarinha, retratada abaixo, em dois trechos diferentes de Bonequinha de Lixo, em pré-venda autografada pela Livraria Taverna. Adquira já o seu!



Coitada da mãe.

Coitada vem do verbo coitar.

Coitar significa produzir coita ou ocasionar sofrimento.

Coita é sinônimo de dor, mágoa, desgraça.

A mãe não produz nem ocasiona sofrimento em ninguém.

Exceto em si mesma.

E, por tabela, em mim. Sinto dor quando ela sofre.

Quem é que não sabe que os filhos não suportam ver as mães sofrendo?

Os pais deveriam parar de fingir que não sabem.

Se um homem quer ser um bom pai, deve começar sendo bom para a mãe de seus filhos, goste dela ou não.


(...)


Então, o pai está com uma namorada oficial.

As outras, quase oficiais, experiências como o Stitch, tive de conhecer porque vinte e quatro horas só comigo ele não suporta.

E porque ou era assim ou eu ficava em casa com a mãe.

Por mim, até ficava, mas a mãe é insistente. Clarinha, você tem de conviver com o seu pai.

Não sei se a vó diz a ele: Zeca, você tem de conviver com sua filha.

Essa namorada oficial certamente não. Quase todos os finais de semana, eles viajam.

Fazem a rota do sexo embora chamem de rota romântica.

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