Bonequinha de Lixo traz a história de Maria Clara, uma adolescente de classe média alta que resolve quebrar o silêncio do que acontece entre as quatro paredes de sua casa, revelando a dinâmica hipócrita e disfuncional de sua família e o comportamento abusivo e violento do pai.

 

O que já disseram sobre Bonequinha de Lixo

 

Nara Vidal, escritora:

Bonequinha de lixo tem uma estrutura corrente, veloz, que parece um grito, não de socorro, mas de reconhecimento do que se despreza e rejeita como norma. Uma forma de coragem posta em palavras exatas e cortantes e que abrangem a prática abusiva dos gritos e dos silêncios em seu formato tão democrático. Afinal, o exercício da agressão é amplo e igualitário; pode ser encontrado e, eventualmente identificado, nas mais diversas configurações familiares e entre entes, vejam, queridos.

 

Luiz Ruffato, escritor

A escolha, inteligente, da narradora ingênua e despida de julgamentos morais, deixa para o leitor entrever o sarcasmo e a ironia que perpassa as observações. Este procedimento, muito bem arquitetado, é o ponto alto do livro. É curioso porque trata-se de um livro meio inclassificável. O que é bom. Eu o chamaria com tranquilidade de romance – dentro daquela ideia de que o romance é uma espécie de gênero antropofágico, que vai incorporando como seu tudo que encontra pela frente.

 

Maria Valéria Rezende, escritora

A voz da “bonequinha” que aqui fala, tão plausível e sensata, contraditoriamente impiedosa e empática para as dores e erros dos adultos, é muito mais informada e racional, é uma voz de mulher, não se queixa nem choraminga como Holden Caulfield, é capaz de analisar detida e racionalmente o que vê, revelando que a luta avançou, sim, mas ainda não o bastante.